13 de fevereiro de 2011

SAL DA TERRA LUZ DO MUNDO - PALAVRA DO ARCEBISPO

Dom Geraldo M. Agnelo
Cardeal Arcebispo do Salvador - Bahia

Na liturgia dominical, continuamos a ouvir o “Discurso da Montanha”, dirigido por Jesus aos apóstolos e aos discípulos. Hoje, ouviremos a singular definição que Jesus Cristo deu dos cristãos: são chamados a ser “sal da terra e luz do mundo”.

A proclamação das Bem-aventuranças são um manifesto e um manual de vida cristã, quase uma catequese para os adultos, para que possamos compreender melhor: quem é Deus para nós, quem somos nós para Deus, quem somos uns para os outros.

Quem é Deus para nós: deixemos de lado as respostas difíceis dos filósofos. Fiquemos com o que disse Jesus: Deus é Pai, nos ama, reserva-nos um destino de eternidade.

Quem somos nós para Deus: filhos. Portanto levados a amar o nosso Pai.

Quem somos nós uns para os outros: Se somos filhos do mesmo Pai, somos irmãos.

Se todos aceitássemos estas verdades simples, o mundo mudaria.

Ao invés, alguns as aceitam somente em teoria, mas não na prática. Pode acontecer também a nós!

Outros contestam totalmente o ensinamento de Jesus, refutam-no. Outros ainda não conhecem o Senhor e não procuram conhecê-lo.

E então Jesus, no Discurso da Montanha, nos diz quem somos e o que devemos fazer para viver como filhos de Deus e como irmãos.

As bem-aventuranças elencam: bem-aventurados os pobres em espírito, os aflitos, os mansos, os que têm fome e sede de justiça, os operadores de misericórdia, os puros de coração, os que trabalham para a paz e a justiça. Ora, Jesus diz a todos esses: Vós sereis o sal da terra, a luz do mundo. Portanto Jesus deposita a máxima importância e consideração em cada pessoa.

O sal é muito importante. Condimento humilde, econômico, pouco perceptível mas preciosíssimo, desagradável se é comido sozinho, deve ser usado em pequenas doses, indispensável para dar sabor aos alimentos, para fazê-los saborosos. Assim o discípulo do Senhor deve ser sobre a terra como o sal: dar sabor ao grande caldeirão do mundo, de que o coração humano tem tanta fome.

Jesus acrescenta a hipótese que o cristão se faça de desentendido: compara-o ao sal que se torna insípido. É alguma coisa de absurdo. Um sal que improvisadamente não salga mais, não vale nada mais, senão para ser jogado fora, e ser pisoteado pela gente. O cristão que deveria ser sal da terra, e não dá sabor às coisas: não serve para nada, senão para ser jogado fora. Ainda mais hoje com a civilização do ‘usa e joga fora’.

Assim é impensável um mundo sem autênticos discípulos do Senhor.

Jesus disse também que o discípulo é luz do mundo. A luz é bela, positiva, útil. No escuro não se pode andar. Jesus considera os cristãos como luz do mundo, como os que tornam luminosa a existência: a própria e a de quem vive perto.

Se o cristão se faz de desentendido, Jesus explica com o exemplo da lamparina. Não se acende para ser colocada debaixo da mesa, escondida. Um contra-senso. A vocação do cristão é iluminar o mundo, enquanto vence a escuridão entorno de si.

É dever dos discípulos: “Resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e rendam glória ao vosso Pai”. Tratando-se de pessoas das bem-aventuranças, sabemos de quais obras se trata: as que ajudam o mundo a sair da obscuridade do ódio, da opressão, das guerras, da escravidão do pecado. De modo a encorajar também os outros no caminho para justiça e a paz.

Jesus com as imagens do sal e da luz recorda aos cristãos que têm para com os outros o dever do testemunho. Como filho de Deus e como irmãos em Jesus.

O testemunho é dado com o próprio estilo de vida, o modo de estar no meio dos outros: viver a amizade com sinceridade, construir uma bela família cristã, ter honestidade no trabalho e trabalhar com competência, com professionalidade, com responsabilidade. Com tudo isso e muito mais, com amor, como se fosse para si mesmo.

Testemunha-se Cristo também na comunidade paroquial, em vários trabalhos para o bem comum, na liturgia, catequese, aprofundamento da fé e da esperança, obras de promoção humana. São pequenos grandes gestos de solidariedade cristã.

Ser sal da terra. Ser luz do mundo. Render glória ao Pai que está nos céus. Brilhe a vossa luz!

Fonte:
ARQUIDIOCESE DE SÃO SALVADOR DA BAHIA
http://www.arquidiocesesalvador.org.br