20 de outubro de 2010

APELO DE PAZ - PALAVRA DO ARCEBISPO


Dom Geraldo M. Agnelo
Cardeal Arcebispo de Salvador

Por ocasião do Encontro Internacional de Oração pela Paz, em Barcellona, organizado pela Comunidade de Santo Egidio, de Leigos, de Roma, em colaboração com o Arcebispado de Barcelona, todos os participantes, cristãos e não cristãos, subscreveram um Apelo de Paz.

Homens e Mulheres de religiões diversas, provenientes de tantas partes do mundo, reunimo-nos em Barcelona, numa terra que celebra com a arte e a beleza da família de Deus e da família dos povos, para invocar do Altíssimo o dom da paz.

A nossos ombros está um decênio difícil. Foi um tempo em que o mundo acreditou mais na contra posição e no conflito do que no dialogo e na paz. Tivemos presente o medo de tantos homens e mulheres e muitas partes do mundo. A dor de guerras quem não trouxeram a paz, as feridas trazidas pelo terrorismo, o mal estar das sociedades atingidas pelas crises do trabalho e pela incerteza do futuro, o sofrimento de tantos pobres que batem a porta de um mundo mais rico e encontram, muitas vezes, portas fechadas e desconfiança.

O nosso mundo está desorientado pela crise de um mercado que se acreditou onipotente, e por uma globalização às vezes sem alma e sem rosto. A globalização é ao invés uma ocasião histórica. Une mundos longínquos, mas deve encontrar uma inspiração gêneros. Foi acompanhada ao contrário pelo medo, pela guerra, pelo fechamento para o outro, pelo temor de perder a própria identidade.

Deve abrir-se um novo decênio em que o mundo globalizado se uma família de povos. Este mundo precisa de alma. Mas, sobretudo precisa de paz. A paz é o nome de Deus. Não é algo superficial. Vem do profundo de cada tradição religiosa. Quem usa o nome de Deus para odiar e humilhar o outro, abandona a religião pura. Quem invoca o nome de Deus para fazer a guerra e para justificar a violência vai contra Deus.

Nenhuma razão ou injustiça sofrida jamais justifica a eliminação do outro. Do profundo de nossas identidades e das diferentes histórias, da oração vivida uns ao dos outros, podemos dizer ao mundo: temos necessidade de viver juntos um destino comum. As religiões testemunham um destino comum e dos povos. Este destino se chama paz.

Através do diálogo se realiza este destino comum que é a paz. O diálogo é o caminho para reencontrá-lo e construí-lo. Protege a cada um de nós e mantem humanos em tempo de crise. O diálogo não é ingenuidade. É a capacidade de ver longínquo também quando todos olham vêem somente vizinho e, por isso, se sentem sozinhos, resignados, espaventados. O diálogo não enfraquece, mas reforça.

É a verdadeira alternativa à violência. Nada se perde com o diálogo. Tudo se torna possível, também imaginar a paz. Numa sociedade em que sempre mais gente diferente vive junta, é necessário aprender a arte do diálogo. Não enfraquece a identidade de ninguém e faz descobrir o melhor de si e do outro. Nossas sociedades tem necessidade de aprender de novo a arte de viver juntos.

Depois dessas jornadas estamos sempre mais convencidos que um mundo sem diálogo não é um mundo melhor. Temos necessidade de paz e não há paz sem diálogo. A paz é o maior dom de Deus. A paz tem necessidade de oração. Nenhum ódio, nenhum conflito, nenhum muro pode resistir à oração, ao amor paciente que se faz dom e perdão, enquanto educa na raiz a construir um mundo em que nem tudo é mercado e o que conta não se compra e não se vende.

Queremos entrar no decênio que se abre com a forca do Espírito, para criar um tempo de esperança para o mundo. Há necessidade de esperança. Mas nós temos esperança. Nossa esperança vem de longe e olha o futuro. Um destino comum é o único destino possível.

Que este possa ser o decênio da paz, do diálogo e da esperança.

Podemos ainda acrescentar a palavra do papa Paulo VI: É preciso fomentar uma cultura da vida que permita passar da miséria à posse do necessário, à aquisição da cultura, à cooperação do bem comum, até o reconhecimento, por parte do homem, dos valores supremos e de Deus, que deles é a fonte e o fim.

Disse Jesus: “Eu vim para que tenham a vida e a tenham em abundancia” (João 10,10).

Fonte:
ARQUIDIOCESE DE SÃO SALVADOR DA BAHIA
http://www.arquidiocesesalvador.org.br